CORRESPONDÊNCIA DE LIMA BARRETO: A BUSCA DA CONSTRUÇÃO SAUDÁVEL DA IDENTIDADE ETNO-CULTURAL
A ambivalência do texto epistolar, que oscila entre o segredo e a confissão, o público e o privado, o foro íntimo e a opinião pública, exerceu um fascínio permanente sobre o escritor carioca Lima Barreto.(1881-1922) que soube transformar a carta em “máquina deexpressão”[1].
A interpretação de algumas cartas de Lima Barreto, nesta comunicação, orientar-se-á pelo interesse em verificar as estratégias discursivas de que o escritor lança mão para levar a efeito seu projeto de um pensar saudável sobre a identidade etno-cultural em nosso país nas primeiras décadas do século XX.
A correspondência é o recurso de que se vale Lima Barreto para movimentar o circuito dos discursos em um país onde a difusão de novas idéias encontrava barreiras das mais variadas. Se a incompatibilidade que mantinha com a grande imprensa não lhe permitia responder, na forma de artigos, às críticas ou elogios de que seus romances eram alvo, transfere para a carta pessoal a função de servir de veículo aos agradecimentos, às réplicas e aos esclarecimentos necessários à leitura que reivindicava para seus livros.
Em carta de 1911, enviada ao jornalista e bacharel em Direito, Esmaragdo de Freitas, que havia dedicado um artigo na imprensa do Recife ao seu romance de estréia Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909), Lima Barreto dirá:
Compreenda-se (...), que, dada minha obscuridade nativa e também (para que não dizer) a minha cor, se o meu livro não fosse capaz de romper caminho, não seriam os nossos amigos dos jornais que haviam de ajudá-lo a fazer. Arriscava-me a passar sem ser notado, desanimar, portanto, e ir fazer companhia ao rol dos incapazes de raças que a nossa antropologia oficiosa já decretou. (...). O meu fim foi fazer ver que um rapaz em condições de Isaías, com todas as disposições, pode falhar, não em virtude de suas qualidades intrínsecas, mas, batido, esmagado, prensado pelo preconceito (...). Eu ainda teria muito a lhe dizer, mas temo falar muito de mim; entretanto, por último, lhe adianto que sou bem mulato, sem disfarce, claramente e à vista de todos. (C, I, pp. 238-239)
Se a cor da pele coloca-o, de acordo com a antropologia oficiosa, no rol das raças inferiores, publicar um livro seria a forma de distinguir-se intelectualmente e ser notado, sem precisar falar muito de si. A escrita barretiana não quer instaurar uma relação especular entre autor e obra. Para Lima Barreto, falar do eu é falar de outros. Conforme declara na carta a Esmaragdo de Freitas, o escritor mulato não quer falar muito de si, por temer que o personalismo excessivo prejudique o seu desejo de divulgar questões que atingem todo um grupo de excluídos. O debate sobre a inferioridade racial dos negros interessava a uma grande parte da população brasileira, o que leva o escritor a aprofundá-lo em sua obra.
Lima Barreto acreditava ter sofrido várias derrotas existenciais por causa da discriminação racial que dominava as relações entre os brasileiros. O sentimento de exclusão era tão forte que o levou a anotar em seu diário: “É triste não ser branco” (DI, p. 130). Os não-brancos estão condenados a ocupar posições subalternas na organização social. Realidade essa a ser comprovada por Lima Barreto, através da situação, que se repete em sua vida, de ser tomado por contínuo do Ministério do Exército, onde trabalhava como amanuense. Procura justificar o fato em uma anotação íntima, expondo a condenação que pesa sobre ele e seus iguais: “(...) o que é verdade na raça branca, não é extensivo ao resto; eu, mulato ou negro, como queiram, estou condenado a ser sempre tomado por contínuo” (DI,p. 52).
O recurso à correspondência irá possibilitar a Lima Barreto encontros audaciosos que a sua timidez e “obscuridade nativa” não permitiriam em uma situação face-a-face. É por meio de uma carta que se comunicará em 1906 com o professor de Sociologia na Sorbonne, discípulo de Durkheim, Célestin Bouglé (1870-1940). A carta enviada a Célestin Bouglé surge após a leitura do livro do sociólogo, La Démocratie devant la Science (1904), em que Lima Barreto observa o desconhecimento do autor francês sobre os mulatos do Brasil. Após identificar-se como “mulato, moço, com vinte e cinco anos”, dedicado à literatura e ao estudo das questões sociais, funcionário da Secretaria da Guerra e redator de duas pequenas revistas no Rio, Lima Barreto dirá:
Ao ler o seu belo livro, observei que o senhor está a par das coisas da Índia e pouco sabe sobre os mulatos do Brasil. Nas letras brasileiras, já florescentes, os mulatos ocuparam lugar de destaque. O maior poeta nacional Gonçalves Dias, era mulato; o mais erudito dos nossos músicos, espécie de Palestrina, José Maurício, era mulato; os grandes nomes atuais da literatura – Olavo Bilac, Machado de Assis e Coelho Neto – são mulatos. A corrente mulata já existe há século e meio (...). (CI, p.158)
A correspondência barretiana torna visível o desejo do escritor de ultrapassar os limites epistemológicos das idéias etnocêntricas e instaurar novas fronteiras enunciativas em que se abriguem outras vozes e histórias -- brancas, negras e mestiças -- silenciadas pelas teorias científicas racistas. No difícil equilíbrio entre as alternativas de calar-se ou ser calado pelo preconceito, o escritor mulato adota um gesto essencial da modernidade ocidental, uma “ética da autoconstrução”, como a entende Mladan Dolar: “a constante reconstrução e reinvenção do eu... O sujeito e o presente ao qual ele pertence não têm estatuto objetivo; eles têm de ser perpetuamente (re)construídos”[2]. Empenhado em construir um outro lugar em que pudesse se reconhecer e se tornar referência para a focalização de outros sujeitos, também escravizados pela inferioridade social determinada pela cor da pele, Lima Barreto explora novas interpretações para a questão étnica e põe em relevo diferentes perspectivas para a definição da identidade cultural.
A correspondência mantida com o crítico literário paulista do Jornal do Comércio, Veiga Miranda, a propósito das leituras que este publicou sobre os romances de Lima Barreto, constitui um espaço privilegiado para o debate sobre o preconceito racial, tão caro ao autor do Isaías. Em outubro de 1917, Veiga Miranda escreve para o jornal um artigo, quando do aparecimento da segunda edição do Recordações do Escrivão Isaías Caminha, em que discorda do autor do romance, afirmando que no Brasil não existe preconceito de cor: “Estamos muito longe dos Estados Unidos. Poder-se-ia dizer antes que uma dose de mulatice até influi favoravelmente na carreira do indivíduo”[3]. Em relação ao sonho do personagem Isaías Caminha de tornar-se doutor, para resgatar pelo diploma a sua ascendência humilde, o crítico argumenta que há doutores em demasia nas capitais, enquanto faltam braços para a lavoura[4]. As idéias de Veiga Miranda publicadas no Jornal do Comércio têm como contrapartida uma carta de Lima Barreto, em cuja minuta lemos a data de 29 de outubro de 1917 e as seguintes considerações sobre o doutor e o preconceito racial:
Se a minha modesta pessoa deseja conseguir alguma coisa, é retirar do ‘doutor’ o halo de aristocracia, de sujeito digno de executar tudo, melhor que os outros. (...)
Enquanto os costumes e as leis derem, estas, privilégios, e aqueles, a consideração da nobreza, estou disposto a ajudar, até com sacrifício meu, qualquer rapaz preto, branco, caboclo, amarelo ou mulato a se fazer doutor.
Não é justo que só venham a obter as regalias do diploma (...) os Aluísios de Castro e os calmons. É preciso que a coisa seja temperada e os de modesta extração não sejam todos eles destinados aos duros ofícios em que é preciso lutar, sofrer, provar capacidade e aptidão.
Quanto ao preconceito de cor (é a segunda observação) diz o senhor que ele não existe entre nós. Houve uma quizília que se ia fazendo preconceito quando o Senhor Rio Branco tratou de ‘eleganciar’o Brasil. Isto não se prova, sei bem; mas se não tenho provas judiciais, tenho muito por onde concluir.
Por aí, em São Paulo, e em Campinas também, há sociedades de homens de cor? Hão de ter surgido devido a algum impulso do meio, tanto que no resto do Brasil não as há. (C, II, pp. 23-24)
Ao recorrer a uma comparação das relações raciais no Brasil e nos Estados Unidos, Veiga Miranda lança mão da “mulatice”, entre nós, como fator atenuante das diferenças. Contra a ideologia da “democracia racial” mobiliza-se Lima Barreto ao levar Veiga Miranda a perceber que a ausência de sociedades de homens de cor em todo o Brasil é forte indício da segregação racial. Confirmando a constatação, registra em seu diário, o fato de que Lauro Sodré, ministro do presidente Rodrigues Alves, teria sustado a nomeação de um professor negro, Hemetério dos Santos, para o Colégio Militar. A intervenção do Ministro na escolha de um professor mostra as barreiras raciais de nossa velha sociedade republicana. Conclui o diarista na nota de 1905: “É singular que, fazendo eles a República, ela não fosse de tal forma liberal, que pudesse dar um lugar de professor a um negro” (DI, p. 82).
Lima Barreto não deixa escapar a oportunidade de denunciar qualquer manifestação de apreço por idéias que, mesmo indiretamente, venham a reforçar as divisões raciais na sociedade brasileira. Sobre o tema é significativa uma das cartas que envia ao historiador e diplomata pernambucano Oliveira Lima, em resposta à leitura de um artigo no A.B.C. de autoria deste último. A carta pretende esclarecer uma dúvida suscitada pelas idéias expostas no artigo, que, no entender do leitor, evidenciam preconceitos de cor. A pergunta que se lê na minuta, datada de 29 de junho de 1919, é a seguinte:
A minha tenção era perguntar-lhe, ao senhor, mais esclarecido e inteligente do que eu, mais culto e mais viajado do que eu, conhecendo bem a evolução das idéias e a sua transformação em sentimentos, a ditar atos quase automáticos – se eu, homem de cor, mulato, etc, etc, posso e devo concorrer de alguma forma para reforçar a influência ou o predomínio, no Brasil, dos Estados Unidos; e, também, se não é minha obrigação de modesto homem da pena combater de todas as maneiras essa influência? (C, II, p. 39)
O escritor mulato busca, na condição de modesto homem da pena, combater de todas as maneiras o cânone cientificista e as idéias de um historicismo etnológico que vêem na teoria da mestiçagem a pedra de fundação da “democracia racial”. Lima Barreto trabalha com sua pena para forjar as bases da incorporação do hibridismo cultural brasileiro, sem escamotear sua condição de mulato. Não se integra ao setor de mulatos talentosos e bem-sucedidos, por meio da adoção de hábitos e prerrogativas da sociedade dominante. Lima Barreto mantém-se à margem de qualquer tipo de cooptação. Não hesita nem mesmo em abandonar o semanário A.B.C. – em que começou a colaborar em 1916 – numa manifestação pública de contrariedade diante das idéias do diretor do jornal, Paulo Hasslocher, quando este, em razão de uma polêmica mantida com Antonio Torres, escreve e publica um artigo que o romancista teria interpretado como ofensivo à raça negra. Lima Barreto despede-se do periódico através de uma carta e solicita, como prova de lealdade intelectual, que ela seja estampada nas páginas do jornal. O texto da carta, conforme o desejo do escritor, foi publicado no A B.C. de 1º de fevereiro de 1919 com o título “Por amor a velhos princípios” e surge como a afirmação da independência que Lima Barreto fazia questão de manter como escritor-intelectual na defesa daqueles que não tinham vez nem voz. Justifica e defende sua posição de abandonar o semanário, nos seguintes termos:
Não sou propriamente um jornalista; e antes, tenho exprimido o meu pensamento, bem ou mal, em livros.
Seria negá-los, eles que me têm tanto custado e tanto os amo, deixar passar em silêncio as tuas afirmações.
Se elas tivessem sido feitas por outrem, seria eu o primeiro a vir com um artigalhaço, contestando-as, para que o publicasses no A B.C.
Mas, sendo tu que as fazes; e, não querendo eu e não podendo magoar-te de alguma maneira, despeço-me de tua brilhante revista e sigo o meu caminho.
É com mágoa que faço isto e minha mágoa é tanto maior por não poder dizer francamente que as tuas palavras me suscitam revidar.
Uma coisa eu te lembro, para que não incorras em um erro vulgar de apreciação; todos os povos e raças passaram pela escravidão; a questão é de tempo e o tempo, para o filósofo, não existe. (C, II, p. 144)
O “não poder dizer” é estrategicamente tornado público pelo autor da carta como possibilidade de afirmação de outros sentidos. Dizendo-se impedido de revidar as palavras do diretor do periódico, o missivista funda novos sentidos e expõe abertamente a censura que atinge os que se pronunciam em favor dos negros. A carta enviada a Paulo Hasslocher alcança o resultado desejado, uma vez que o diretor do periódico retrata-se publicamente sobre o que escreveu no tal artigo ofensivo à raça negra e Lima Barreto concorda em continuar a publicar seus escritos no semanário A.B.C., no qual permanece como colaborador até 1922, ano de sua morte.
O perigo da divulgação de idéias sobre a superioridade e a inferioridade racial era rastreado por Lima Barreto em seus mínimos indícios. Qualquer manifestação cultural, que previsse o desdobramento, a curto ou a longo prazo, de propostas sobre a identidade nacional, às custas da participação de negros e mestiços, era severamente atacada pelo escritor, tanto em seus papéis pessoais, quanto em seus romances, contos e crônicas destinados à publicação. Movido por essa causa de combate ao preconceito, insurge-se contra a expansão entre nós dos ideais estéticos e culturais helênicos, valorizados pelos artistas seus contemporâneos. Brito Broca em seu livro A vida literária no Brasil – 1900, dedica o capítulo X, “A Grécia no Brasil”, a apresentar o uso que os escritores brasileiros da virada do século faziam da herança grega, na composição de suas obras. Entre os adeptos do espírito helênico nas letras, Brito Broca destaca João do Rio, Graça Aranha, Olavo Bilac, Coelho Neto, Euclides da Cunha e Monteiro Lobato. Essa mania da Grécia, como também da latinidade, era um meio “por vezes inconsciente, de muitos intelectuais brasileiros reagirem contra a increpação de mestiçagem, escamoteando as verdadeiras origens raciais, num país em que o cativeiro estigmatizara a contribuição do sangue negro”[5]. As barreiras raciais acabavam determinando barreiras estéticas erguidas sob a supervisão dos hegemônicos grupos letrados, que excluíam a contribuição cultural de negros e mulatos, por considerá-la “coisa residual” para o destino da literatura brasileira. Lima Barreto não rejeita o desejo dos artistas brasileiros inscreverem-se dentro da grande tradição literária ocidental, na qual ele próprio se formara e que ajudava a difundir, mas defende também a divulgação das tradições locais. A revisão dos cânones literários seria parte de um projeto barretiano de democratização da sociedade brasileira através do reconhecimento da diversidade cultural que a constitui.
É visando desestabilizar as interpretações para o ser brasileiro, fixadas e naturalizadas pela “inteligência” oficial do país -- de feição branca e européia -- que Lima Barreto escreve. Em sua escrita se opera a desmontagem da fixidez e do fetichismo de identidades calcificadas pela voz e pelo olhar das elites do país. Através de conceitos deleuzianos, poderíamos dizer que a preferência de Lima Barreto pelo fragmentário observável na escrita de crônicas, cartas e diários equivale a uma construção em processo:
Escrever não é certamente impor uma forma (de expressão) a uma matéria vivida. A literatura está antes do lado do informe, ou do inacabamento (...). Escrever é um caso de devir, sempre inacabado, sempre em via de fazer-se e que extravasa qualquer matéria vivível ou vivida 6.
A correspondência de Lima Barreto é um espaço privilegiado em sua obra de busca permanente de outras margens onde circulem renovadas interpretações para o perfil etno-cultural do país. O escritor-epistológrafo volta-se completamente para um pensar saudável sobre a literatura, o papel do escritor militante e a cidadania em nosso país, equilibrando-se no espaço menor do grande circuito literário e intelectual estabelecido no início do século e oferecendo sua história pessoal como palco de dramatização e construção de uma “enunciação coletiva”7, por meio da qual dê expressão a temas e problemas silenciados e mantidos na sombra.
Referências Bibliográficas de Lima Barreto:
BARRETO, Lima. Correspondência ativa e passiva,tomos I e II. In: BARBOSA, Francisco de Assis (org.). Obras de Lima Barreto. 2. ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1961.
_____. Diário Íntimo. In: BARBOSA, Francisco de Assis (org.) Obras de Lima Barreto. 2. ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1961.
[1] Estudando o funcionamento das cartas deixadas por Franz Kafka, Deleuze e Guattari destacam que “não há lugar para perguntar se as cartas fazem ou não parte da obra, nem se são fonte de certos temas da obra, fazem parte integrante da máquina da escritura ou de expressão. É dessa maneira que é preciso pensar as cartas em geral como pertencendo plenamente à escritura, fora da obra ou não (...)”. Gilles DELEUZE e Félix GUATTARI. Kafka: por uma literatura menor. Rio de Janeiro: Imago, 1977, p.48-49.
[3] Veiga MIRANDA. Apud Francisco de Assis BARBOSA (org.). Correspondência ativa e passiva de Lima Barreto, tomo II. São Paulo: Editora Brasiliense, 1961. p. 18.
[4] Ibidem, p. 18
[5] Brito BROCA. A vida literária no Brasil – 1900. Rio de Janeiro: MEC, 1956. p. 105
6 Gilles DELEUZE. Crítica e clínica. São Paulo: Editora 34, 1997, p. 11
7 Segundo Deleuze e Guattari uma das características das literaturas menores é que nelas tudo é político. No espaço exíguo da literatura menor cada caso individual é imediatamente ligado à política. Outra característica é que nelas tudo adquire valor coletivo: “(...) o que o escritor sozinho diz, já constitui uma ação comum, e o que ele diz ou faz, é necessariamente político, ainda que os outros não estejam de acordo. O campo político contaminou todo o enunciado. Mas sobretudo, ainda mais, porque a consciência coletiva ou nacional está sempre inativa na vida exterior e sempre em vias de desagregação, é a literatura que se encontra encarregada positivamente desse papel e dessa função de enunciação coletiva, e mesmo revolucionária: é a literatura que produz uma solidariedade ativa (...). As três características da literatura menor são de desterritorialização da língua, a ramificação do individual no imediato-político, o agenciamento coletivo de enunciações. Vale dizer que ‘menor’ não qualifica mais certas literaturas, mas as condições revolucionárias de toda literatura no seio daquela que chamamos de grande (ou estabelecida)”. Cf. Kafka: por uma literatura menor, p. 26-27-28